implanon

PROTOCOLO DE USO DO IMPLANTE SUBDÉRMICO DE ETONOGESTREL
A garantia de acesso a métodos anticoncepcionais é indispensável para assegurar o bem-estar e a autonomia das
mulheres. O direito ao planejamento familiar é garantido pela Constituição e regulado pela Lei 9.263/96. Compete ao SUS o
fornecimento de métodos anticoncepcionais, estando disponíveis atualmente os métodos hormonais (oral combinado,
minipílula, de emergência, injetável mensal e injetável trimestral),
de barreira (diafragma e preservativos masculino e feminino) e intrauterino (dispositivo com cobre). As jovens podem usar a
maioria dos métodos anticoncepcionais disponíveis, sendo uns mais adequados do que outros. O uso do preservativo deve
ser sempre estimulado, por proteger contra doenças sexualmente transmissíveis (DST)1.
A indicação do método mais adequado deve levar em conta as necessidades e preferências das mulheres e as
características clínicas individuais.
Em razão de existirem grupos de usuárias com elevado grau de vulnerabilidade social que dificulta o uso de métodos
contraceptivos habituais com insucesso na utilização, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS-SP) passou a
recomendar o uso do implante subdérmico de etonogestrel 68 mg, um pequeno bastão de plástico semirrígido que, inserido
sob a pele do braço, libera o progestogênio etonogestrel resultando em efeito anticoncepcional por um período até 3 anos.
Considere-se o estudo de Prescott et al (2014) em que se destacou:
a) segundo a tabela 3 do estudo que apresenta critérios de escolha de métodos contraceptivos de populações selecionadas
dos Estados Unidos, mulheres com doença inflamatória pélvica (DIP), cervicite purulenta, infecção por clamídia ou
gonorreia presentes apresentam risco 4 para uso de DIU de cobre (afecções que representam um risco de saúde inaceitável
se esse método contraceptivo é usado), enquanto para o uso de implante, o risco é 1 (situação de afecção para a qual não há
restrição para o uso desse método contraceptivo)
b) segundo a mesma tabela, mulheres com aids apresentam risco 2 para DIU de cobre (as vantagens no uso geralmente
ultrapassam riscos teóricos ou comprovados) ou 2/3 (em que 3 significa que os riscos teóricos ou comprovados usualmente
ultrapassam as vantagens do uso do método), mas a classificação quanto ao risco no uso do implante é 1 ou 2.
De modo geral, não se pode concluir que o implante subdérmico de etonogestrel 68 mg deva ser empregado
sistematicamente como contraceptivo em lugar do DIU de cobre 380A, a não ser em situações clínicas cuidadosamente
identificadas, nas quais a classificação de risco indica que o emprego do implante de etonogestrel é recomendado. Com
relação a eventos adversos ao implante subdérmico de etonogestrel 68 mg constam os seguintes (Micromedex,
2016):
Comuns
• Dermatológicos: acne (6% a 18,5%)
• Metabólicos endócrinos: aumento de peso (3% a 13,7%)
• Gastrointestinais: dor abdominal (3% a 15%), náusea (4% a 13,4%)
• Neurológicos: cefaleia (4% a 25%)
• Psiquiátricos: mudança de humor (3% a 14%)
• Relativos à reprodução: amenorreia (14% a 33%), dismenorreia (7,2% a 10%), menometrorragia (0,8% a 16%),
menorragia (15% a 25%), oligomenorreia (3,7% a 33,6%), vaginites (2% a 14,5%)
• Respiratórios: faringites (10,5%), infecção do trato respiratório superior (12,6%)
• Outros: reação no lugar do implante (2,5% a 9,6%), dor na mama (1,4% a 12,8%)
Graves
• Cardiovasculares: infarto do miocárdio
• Hematológicos: trombose venosa profunda, distúrbios tromboembólicos
• Neurológicos: acidente vascular cerebral trombótico
• Relativos à reprodução: gravidez ectópica rota
• Respiratórios: embolismo pulmonar
Além disso, é indispensável, nos casos de infecções sexualmente transmitidas, que sejam tratadas, independentemente do
método contraceptivo adotado.
Recomenda-se que as equipes de assistência a populações vulneráveis deem ênfase ao uso contínuo de preservativo
masculino, uma vez que é a única forma de prevenir as infecções sexualmente transmitidas frequentes nestas populações,
constituindo também reforço à prevenção da gravidez pelo uso de contraceptivos reversíveis de ação prolongada, método de
escolha para estas populações.
Referências
1. Ministério da Saúde. Conitec. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS. Implante subdérmico liberador
de etonogestrel 68 mg para anticoncepção em mulheres de 15 a 19 anos de idade. Dezembro/2015. Disponível em:
http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2016/Relatorio_ImplanteEtonogestrel_ Anticoncepo_final.pdf
2. Prescott GM, Matthews CM. Long-acting reversible contraception: a review in special populations. Pharmacotherapy. 2014
Jan;34(1):46-59.
3. Etonogestrel. Resumo do DrugPoint® Medication safety.
Last modified: January 14, 2016.
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Implante subdérmico de

clique abaixo para acessar o termo de consentimento
TCLE IMPLANON