Cerclagem de emergência

Renata Assunção – criação em 13/09/2016

A decisão de realizar a cerclagem de emergência deve ser individualizada, levando em consideração as condições clínicas da gestação, os riscos do parto prematuro extremo e a morbidade e mortalidade neonatal associadas (RCOG).

Diversos estudos demonstraram que a cerclagem de emergência apresenta melhor resultado neonatal global, quando comparado à conduta expectante (“bed rest”). Observa-se:

  • maior intervalo entre diagnóstico e parto (aproximadamente 5 sem)
  • maior idade gestacional nascimento
  • menor taxa de admissão em UTI neonatal
  • maior sobrevida neonatal.

No entanto, mesmo nos casos de cerclagem de emergência, existem fatores que estão associados com pior prognóstico, que devem ser considerados no aconselhamento.

  • prolapso das membranas
  • nuliparidade
  • dilatação colo uterino > 3,0cm
  • sinais sistêmico materno de processo inflamatório
  • cerclagem acima de 24 semanas de gestação

As complicações podem ocorrer em 11 a 14% dos casos (SOGC), e incluem: sepse, RPMO, trabalho de parto prematuro, laceração do colo durante o parto e hemorragias.

Em estudo realizado em Chicago (centro único com 116 paciente), ocorreram 18% RPMO até 48h após procedimento, e 16% das pacientes apresentaram coriooamnionite. Resultado semelhante ao observado em estudo indiano (retrospectivo 145 casos), que comparou cerclagem eletiva vs urgência vs emergência e demonstrou RPMO respectivamente em 7,2; 6,3 e 17,7 %.

As complicações neonatais estão relacionadas com a prematuridade. No estudo da Universidade Northwestern Chicago, mais de 80% da morbidade neonatal ocorreu nos partos abaixo de 28 semanas. Ocorreram 4 óbitos neonatais. Dos 112 sobreviveram, 9% desenvolveram doença pulmonar crônica, 3% enterocolite necrotizante, 8% retinopatia da prematuridade e 4% hemorragia intraventricular maior Grau 2.